Trechos dos retalhos meus – parte XXXII

31 de março de 2018 Nenhum Comentário

Nem foi tão longa – vejo hoje – nem tão sofrível a caminhada e ainda, suportável; um teste de subsistência in loco: ardil, diminuto, lancinante, moldador do que era pra ser infância e com o desdém de um resultado certeiro: nenhuma chance para envelhecer.

Eu, pobre criança incomum, nascido do bailar da própria sombra desenhada ao medo da luz das velas. Sem nenhuma relação com a ciência, inapto para o raciocínio lógico, por conta da fome que me lambia a cara todos os períodos do dia.

Eu hoje, homem livre, de ideias e ideais emancipatórios, mas intimidado pela inação social, pela destreza – leia-se força – dos que acreditam que devem me limitar os desejos, pelo simples fato de se entenderem “bem-nascidos” e por essa razão, merecedores da tal superioridade.

Eu hoje, pobre sujeito que não disponho aqui, da tecnologia para consertar a própria nave – por estar sozinho aqui e não poder contar com outro da espécie, além de não deter conhecimento para tal, porque me relacionava melhor com as praças que as salas de aula – e não consigo voltar para casa.

Mas hoje, eu me orgulho de ter um pensamento libertário e tu és tudo o que tenho. Só quero regar e fazer florescer o teu jardim; deixa…


Deixe uma resposta