O último poema

5 de outubro de 2019 Nenhum Comentário

sobrou-me este quase gole
da última garrafa.
o que penso ser o último gole,
a última garrafa.
atende-me o desespero.
não quedo sem luta.
o que penso ser luta
é desespero.
sangro, mas não sem antes
rasgar-lhe a pele.
tenho-te sob as unhas,
jogas sujo, me lambes
cada canto das minhas fraquezas,
o que penso ser língua.
me conheces e me fuças,
enfia-me fumaça ocre
garganta abaixo.
o que penso ser garganta,
arranha à altura do plexo,
e dói, o que penso ser,
o último poema.


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