Júpiter

29 de janeiro de 2019 Nenhum Comentário

um jardim esculpido em mármore . um escultor dado como louco . flores duras exultantes ao céu pássaros flácidos ao chão . uma cabeça desprendida de rigores . sem espaço pras relevâncias . porque ali tudo vive . e o que importa desenha-se nos relevos . a morte nutre-se de paixão . ama porque não se incomoda . o sábio observa e não se atreve . reconhece a necessidade da distância . sente medo do louco que esculpe . e por temor não interfere . prefere que enlouqueça . o louco forja asas frias e voa . esculpe o próprio peito e ama . exorta a esfinge e chora . sangram as suas mãos . mas antes evoca todas as ninharias .


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